terça-feira, 26 de janeiro de 2016

As mulheres fazem amor e os homens fazem sexo. É verdade isso?


Uma amiga me sugeriu falar sobre esse tema, que é espinhoso e sujeito a chuvas e trovoadas. Mas vamos lá, de forma bem simplificada e provocativa (já  antecipo o meu pedido de desculpas se ficar um tanto caricaturado).

Será que ainda hoje as mulheres querem fazer amor e os homens apenas sexo ?  Se no passado não se poderia afirmar isso com segurança,  no presente  muito menos.

Antigamente tal afirmação parecia fazer sentido porque as mulheres   dependiam social e financeiramente dos homens, o que as fazia buscar um relacionamento estável representado por uma família tradicional, e isso  era conseguido usualmente pela via do casamento. E supostamente com amor,  na visão romântica predominante da sociedade ocidental burguesa de até uns 20 ou 30 anos atrás. As mulheres ansiavam por um encontro mágico com a sua cara metade, sobretudo provedora. Após o casamento, e  frustradas do intento, se acomodavam e ficavam  submissas, mas silenciosamente manipulavam seus maridos sempre que podiam e, algumas vezes, até os traíam.

Já os homens submetiam as suas  mulheres e buscavam satisfazer o seu desejo (biológico) de reprodução e (cultural) de liderança e protagonismo, tendo grande liberdade dentro e fora do casamento. Portanto, embora fizessem também questão da manutenção da união familiar, eles queriam e faziam muito mesmo era sexo.

Para eles, existiam as mulheres pra casar (tendo amor ou não) e as mulheres pra se divertir(com sexo, sem amor).

Bem, os tempos agora são outros. Vieram a pílula anticoncepcional e a conquista da independência financeira feminina, que  desaguaram numa revolução dos costumes e na flexibilização  dos relacionamentos, por exemplo a aceitação de diversidades como os homoafetivos, os  transgêneros, o poliamor, etc.

Claro, estamos ainda em transição para um modelo incerto que provavelmente será múltiplo e heterodoxo. Em outras palavras, com muitos formatos e sem rótulos fixos.

Uma coisa é certa: reduziu-se drasticamente o número de homens e mulheres que ainda entendem que amor e sexo são uma coisa só. Hoje não restam muitas dúvidas de que são fundamentalmente diferentes, pois, numa conceituação bem singela, o amor favorece uma gostosa sensação de segurança existencial ou, em outras palavras, de aconchego, e o sexo propicia um delicioso prazer do corpo. Pode até  ser praticado solitariamente...

Mas já dá pra se saber que um número significativo de mulheres está fazendo mesmo é bastante sexo, até mais do que muitos homens. Tomam a iniciativa, alternam parceiros e usam com maestria habilidades que os homens têm mais limitadamente: a sensibilidade e a intuição. Fazem os homens parecerem crianças ingênuas.

Na  outra ponta, existem mulheres que já superaram isso -- ou nunca transitaram por esse espaço de liberdade sexual --  e buscam relacionamentos sólidos e mutuamente construtivos, com base no amor.

Mas tem um aspecto interessante. No fundo, fora as exceções,  o inconsciente feminino ainda busca  um cara que lhes dê segurança e confiabilidade. No emocional, não no material.

Tanto estas quanto aquelas parecem mesmo querer amor e sexo. Se possível amor romântico e sexo ardente (selvagem...?).

E os homens? Parecem meio confusos, a reboque do movimento feminino (sem trocadilho), porém continuam fazendo muito sexo na medida que as mulheres os conquistam ou se deixam conquistar.

Mas está crescendo a fileira de homens que buscam relações estáveis, com amor. E amor na linha romântica, quem diria...!!!

Mas bem lá no fundo, na essência  das almas masculinas e femininas, o que todos queremos mesmo é amar e sermos amados, apesar do imenso medo que isso nos provoca.

Sem abrir mão do fundamental ingrediente sexual,  claro!

Mas até descobrirmos e assumirmos isso, parece que ainda vai demorar. E muito!

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Peguei carona no título do livro "Por que os Homens Fazem Sexo e as Mulheres fazem Amor?" de Allan e Barbara Pease, que aborda com sensibilidade aspectos diversos dos tratados aqui, especialmente questões comportamentais dos dois gêneros.

3 comentários:

  1. As mulheres descobriram que podem fazer sexo sem amor e, com isso, assumiram os direitos e os defeitos que tanto criticavam nos homens, como a promiscuidade, inconstância, egoísmo, insensibilidade. Espero que seja alcançado um equilíbrio entre os gêneros, e que ambos aprendam a fazer sexo com amor e amor com sexo.

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  2. Oi amigo. Boa reflexão ;) Concordo que no fundo os dois sexos procuram algo parecido. As vezes um pouco biologicamente diferentes, mas acredito que homens e mulheres procuram igualmente amar e ser amados, vivenciando o sexo de forma profunda e livre das repressões sociais.

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