quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Sherlock Holmes a nosso serviço. E agora ele é psicoterapeuta também!


Não seria ótimo ter uma consultoria especializada para desvendar os nossos nós emocionais com o faro de um Sherlock Holmes?

E isso a qualquer hora, como um psicoterapeuta gratuito.

Maravilha!

Neste caso o Sherlock Holmes não teria como objetivo  descobrir ladrões e assassinos externos.

O objetivo agora é simplesmente decodificar um enigma interno, uma pista que aparece nas confusões da psique, uma sigla: FSNCV.

Mas estamos prontos para encarar a realidade, eliminando as ilusões?

Se conseguirmos, o resultado será a ampliação de nossa consciência sobre o que nos traz incômodos, tristezas e frustrações. E, quem sabe, nos trazer mais paz e felicidade!

Parece fantástico, não?

Sim e não. Sim porque é uma bela receita para melhorar a nossa vida. Não porque vai nos exigir bastante humildade, coragem e disciplina.

Mas o que seria FSNCV?

A primeira possibilidade é intuir que se trata de uma busca para ampliar a consciência e, assim, fazer uma tradução provisória da sigla, algo como "Faz Sentido Não Começar a Ver?".

Parece que é um bom começo!

Logo, o trabalho de detetive começa a juntar fragmentos de nossas dificuldades na vida, de nossos relacionamentos complicados, de nossas tristezas e desarmonias, da falta de sentido no trabalho e na vida, de nossos traumas infantis e tudo o mais de relevante.

Bem, todo detetive deve objetivar quando procura fogo atrás da fumaça aparente. E objetivar significa partir do ponto inicial, ou seja, de nós mesmos!

Hum... F de foco interior, portanto. Naquilo  que  co-criamos  na  vida, com nossos atos ou omissões. Nessa linha de raciocínio, passaríamos a não mais atribuir culpa aos outros, aos pais, aos companheiros, aos chefes, à sociedade ou à crise econômica.

Em outras palavras, assumindo autorresponsabilidade.  Não que os outros sejam puros e santos nem que a realidade externa não nos influencie, mas no frigir dos ovos o que fazemos, sentimos e pensamos são responsabilidade apenas nossa!

A questão não é o que o mundo faz conosco e sim o que fazemos com o que o mundo nos faz!

E o S, o que seria?  "Se estamos focando em nós mesmos, Sherlock diria “Elementar meu caro Watson: Sentimento".

Sentimentos de tristeza, frustração, inveja, orgulho, obstinação, medo. As emoções vêm junto.

Mas, atrás disso tudo só pode existir uma lacuna, algo que não atendeu às nossas expectativas. Necessidade não atendida, claro! Letra N da sigla. Mais uma dedução natural do detetive a nosso serviço.

E se nossas necessidades forem de atenção, aceitação, valorização, aprovação externa ou de amor incondicional?

Cuidado, aí estaríamos perdendo o Foco, não? Parece que é um desvio equivocado pois colocaríamos nossas principais fichas no que vêm de fora de nós mesmos. Poderíamos chamar de Necessidades falsas. Não vamos muito longe por esse caminho!

Mas pelo menos já estamos reunindo uma informação bem preciosa!

Continuando a aprofundar e tentando chegar mais perto de desvendar "o nosso crime" psicológico/emocional, devemos retomar  o Foco interior. Uma dedução óbvia do detetive!

Aí podemos descobrir que essas coisas externas são ótimas e bem-vindas, mas o fundamental é percebermos de onde vem a real felicidade: de sermos autênticos, verdadeiros, criativos, amorosos. E de termos um sentido e um significado na vida. Necessidades Reais, uma conclusão natural!

Bingo! Estamos quase lá!

Mas e a letra C, a seguinte, o que seria?

Está difícil, mas que tal agregar elementos bem sutis e até inconscientes? Crenças e Convicções começam com a letra C e são as principais candidatas.

Nesse trabalho para desvendar o "nosso crime", as Crenças equivocadas parecem se encaixar e esquentar a investigação. Sempre tem algo por trás, raciocinaria Sherlock Holmes.

Aquele pano de fundo de nossas ações, sentimentos, pensamentos...

Pronto, a nossa pesquisa está fechando o círculo. Só falta a letra V.

Um breve retorno à nossa hipótese de trabalho dá a pista que faltava: "Faz Sentido Não Começar a Ver?".

V de ver e também de Verdade.  Ver que estamos presos a armadilhas internas que somente nós podemos desarmá-las para alcançarmos mais Verdade.

Concluída a investigação, a única coisa que falta é juntar as peças, armar o quebra-cabeça.

Então, o "Faz Sentido Não Começar a Ver?" - FSNCV se transforma em "Faz Sentido Começar a Ver!" - FSCV.

Ver o que? A verdade!

Então, está resolvido? Ainda não, apenas um passo, mas o primeiro e talvez o mais importante para iniciar uma grande transformação.

E será que funciona? Vamos testar o FSNCV?

Vamos levantar uma situação hipotética nesse laboratório: uma briga com o namorado por ciúmes de uma amiga dele.

Foco: esquecer o namorado, olhar a si mesma. Sentimento: insegurança, medo de perder o namorado. N: necessidade de mais autoestima, de confiança própria e no outro. C: crença de que os homens não são confiáveis ou a crença de que as amigas gostam de seduzir os namorados das outras, etc.

Onde está a verdade? Na insegurança própria ou nas atitudes que sugerem traição? Realidade ou ilusão?

Se se  distanciar um pouco da situação e usar um tanto de intuição a verdade vai se revelar. Aos poucos, talvez. Mas virá!

Outra situação hipotética: a de rompimento de uma relação amorosa ou a morte de alguém muito querido.

Foco: esquecer a perda, olhar a si mesmo. Sentimento: tristeza da perda do convívio, insegurança por ficar sem a companhia perdida, culpa, arrependimento. N: necessidade de aceitar e entender a transitoriedade de tudo na vida, necessidade de amadurecimento e de colher a aprendizagem com a experiência vivida, etc.  C: crença equivocada de que não merecemos ou não temos valor, de que fomos injustiçados ou de que ficaremos desamparados na solidão.

De novo, onde está a verdade? Devemos nos apegar à realidade ou à ilusão? Esperar que algo ou alguém venha nos salvar ou nos reerguer com a nossa força interior?  As dores serão inevitáveis mas o sofrimento não! Após o luto existirá vida.

Esse trabalho investigativo pode ser feito em praticamente tudo na vida, como as dificuldades de relacionamentos, de entrosamento na família, da penúria financeira, da não aceitação das rugas, estrias, do medo da solidão, do envelhecimento, etc.

O "método" do FSNCV não funciona para todo mundo e está longe de ser uma panacéia que resolve todos os problemas emocionais, mas pode auxiliar no árduo trabalho de autoconhecimento. E, combinado com outras abordagens, pode se constituir  numa ferramenta preciosa.

E sem nos  esquecer que toda transformação transita por picos e vales. Passa pelo amor e por eventuais dores.

Se quisermos, claro! Temos a opção de continuarmos com as nossas vendas nos olhos.

Simplesmente deixando Sherlock Holmes na sala de espera ou dispensá-lo sem aviso prévio.

Livre arbítrio. Sempre!

4 comentários:

  1. Caro amigo, adorei!!! Muitíssimo inspirado. Texto intrigante, divertido, claro, objetivo e prático q mto nos auxilia na fantástica busca de autoconhecimento.Parabéns e gratidão.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Ana, gratidão pelos comentários generosos!

      Excluir
  2. Adorei o texto! Leve e até divertido, fala de pontos profundos e delicados de nós mesmos, que mais cedo ou mais tarde teremos que enfrentar...
    Gratidão

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, Izabel, mais cedo ou mais tarde deveremos enfrentar os nossos desafios! Que bom que gostou do texto!

      Excluir