quinta-feira, 12 de julho de 2018

Osho, faltavam algumas lições...


Impactante é o mínimo que se pode dizer da série "Wild Wild Country”  lançada pela Netflix.

Ela está gerando enorme repercussão no mundo inteiro.

E não é pra menos!

Especialmente para quem -- como eu -- que há décadas bebe na fonte de sabedoria e espiritualidade do Osho.

O documentário, também polêmico, narra a história extraordinária de um grupo de pessoas inspiradas pelo Osho que criou na década de 1980 uma comunidade alternativa no estado do Oregon, EUA.

Isso gerou um enorme confronto cultural- político-criminoso- ideológico- jurídico que a série da Netflix busca trazer em diferentes perspectivas : a visão revolucionária de uma nova forma de vida versus o "establishment".

Sem entrar em detalhes sobre o documentário -- simplesmente  imperdível --  apenas arrisco a dizer que nessa dimensão terrena é inviável viver uma espiritualidade divorciada da realidade prática.

Claro, a comunidade de "sannyasins" pregava preceitos muito elevados (evolução espiritual, liberdade, fraternidade, economia autossuficiente, comunidade livre de amarras sociais e sexuais, etc.), mas é absolutamente incompatível implantar tais práticas de forma ampla nesse mundo conservador, especialmente no meio do Oregon, lugar cheio de aposentados carolas,  preconceituosos e "protegidos" pela máquina protestante e capitalista dos EUA.

Sem querer julgar, mas os fatos demonstraram cabalmente que a atitude equivocada do Osho de se omitir e delegar sem restrições toda a gestão da comunidade à sua CEO, Sheela, gerou um descalabro que entre outros efeitos resultou na expulsão do guru dos EUA e o fim da aventura americana.

"Olhar o céu e nos inspirar no divino mas sem nos descuidar do terreno pantanoso que vivemos" é uma bela e surrada lição de sabedoria.

O Osho também revelou em algumas gravações desse documentário o seu lado humano, da dualidade (e sua sombra), não querendo assumir responsabilidade pelas ações da Sheela e até imputando a ela atitudes rancorosas por ele não ter feito... sexo com ela!

Osho, eu poderia te dizer: "continuo a te admirar tremendamente pelas belíssimas palestras de sabedoria e amorosidade que nos legou, fonte inesgotável de inspiração, mas agora me sinto mais próximo de você por ter conhecido o seu lado humano e falível".

É a coexistência inevitável entre as nossas qualidades e as distorções, o "bem" e o "mal".

Exatamente como eu e todos os humanos, mesmo os ditos iluminados.

Não deixe de ver essa série e tirar as suas próprias conclusões!

Lá estão algumas das lições do Osho que faltavam!

Um comentário:

  1. Também me chocou tremendamente esse documentário. Antes disso, sempre tive muita cautela com o osho, pois me questiono se colocar tanta dúvida e confusão na cabeça das pessoas ajuda mesmo na evolução. Sempre achei que as palavras dele patrocinavam interpretações irresponsáveis em quem lia. Mas eu respeitava. Depois de ver as atitudes dele no final da série, me questionei se ele era mesmo iluminado. Pra mim, um ser iluminado é quem transcendeu as sombras. E ver aquele ódio na face dele junto com seus comentários me provou que a história não era bem essa.

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