domingo, 1 de julho de 2018

O celular deu pau na viagem... e agora ?


A tecnologia é assim, uma hora funciona e outra não!

Aconteceu comigo e quase me trouxe o caos porque esse “sinistro” se deu no meio de uma viagem internacional quando tanto as informações básicas como as importantes ou desejáveis estavam embarcadas nesse pequeno dispositivo eletrônico-midiático-digital que chamamos smartphone.

Aliás, esse aparelho tem muito mais de smart do que de phone porque raramente o usamos para falar. Deveríamos até bolar um outro nome para ele urgentemente, tipo Módulo de sobrevivência, Meu tudo, Segundo eu, Minha vida, Grande chefe...

Dá para imaginar alguém a 10 mil km de casa com todas as informações de hotéis, vôos, datas e horários dos eventos, nomes e endereços dos hotéis, links dos ingressos em museus, etc. aquartelados numa engenhoca que teima não abrir ?

E claro, sem acesso aos aplicativos como o Whatsapp, o Uber e o Google Maps, que costumam facilitar enormemente a nossa vida em qualquer lugar.

Ah, mas vocês podem argumentar que eu poderia comprar outro celular, acessar a nuvem ou a minha conta de email. Ou mesmo dar um jeito de contatar o agente de viagens no Brasil.

Lembrem-se porém que quando a Lei de Murphy é aplicada ela vem com vontade, tipo arrasa quarteirão (“tudo o que puder dar errado, vai dar”).

 E foi o caso, pois os acessos que tentei aos e-mails por outras vias foram filtrados pelos protocolos de segurança dos meus endereços eletrônicos. Resultado: as senhas para conexão eram tentativamente enviadas para o meu celular lá cadastrado, que estava literalmente fora de combate, mudo, cego, surdo. Ou para endereços de e-mails alternativos dos quais eu havia esquecido as respectivas senhas.

Bem, comprar outro celular num país com frequência de mega-hertz diferente do Brasil seria jogar dinheiro fora e não resolveria todos os problemas.

Para piorar, eu também havia feito todo o planejamento da viagem sem agentes ou quaisquer testemunhas!

E seguindo ainda a malfadada Lei de Murphy – que espero não venha a ser piorada no futuro por alguma interpretação da segunda turma do nosso judiciário superior – eu desta vez de forma inocente e displicente não havia tirado cópia em papel de todos os vouchers e demais dados da viagem. Pronto! Um erro que espero tenha sido a primeira e a última vez que tenha cometido.

Depois de um sufoco infernal, consegui com a ajuda de amigos e um pouco de minha memória (a minha mesma, não a do celular, claro) me acomodar à nova situação de sobrevivente à vida não-digital.

Aliás a vida que nós seres humanos sempre tivemos em 99,9% de nosso tempo aqui na Terra.

Assim, além das lições aprendidas, várias coisas boas aconteceram como :

- dei um descanso nas mensagens e vídeos do Whatsapp e não morri;

- passei menos tempo no trono do banheiro ao não ficar fuçando no celular; e

- consegui usufruir dos passeios sem me preocupar com selfies e imagens para o Instagran ou Face.

E fiquei a imaginar que Marco Polo -- o primeiro mega viajante deste planeta com uma vida cheia de aventuras e emoções -- certamente nunca pensou que no futuro ficaríamos tão dependentes de uma pequena engenhoca para fazer muito menos que ele.

Coisas da modernidade!

2 comentários:

  1. Excelente crônica, Arnaldo. Texto inteligente e útil para os leitores, "smartdependentes" de hoje. Gostei do "Meu tudo"!
    Vou divulgar em O Bem Viver. Parabéns!!!

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  2. Arnaldo, excelente texto trazendo o olhar e atitude mesmo diante da adversa situação. A criatividade e resgate do que é verdadeiramente importante na vida: viver o presente; independente da falta das fácilidades viciantes do meio virtual. Parabéns!

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